O TESOURO DA SABEDORIA E DA CIÊNCIA

Carta Encíclica Miserentissimus Redemptor, do papa Pio XI(08/05/1928) - trechos

Nosso Misericordioso Redentor depois de conquistar a salvação da raça humana no madeiro da Cruz e antes da Sua ascensão ao Pai deste mundo, disse aos Seus Apóstolos e discípulos que estavam entristecidos com sua partida para consolar -lhes: “Vede que eu estou convosco todos os dias até o fim do mundo”. Voz dulcíssima cheia de segurança e esperança (...)Entre todos os testemunhos da infinita bondade de Nosso Redentor resplandece singularmente o fato de que, quando a caridade dos fieis se entibiesse, a caridade de Deus se apresenta para ser honrada com culto especial, e os tesouros de sua bondade se descobriram por aquela forma de devoção com que damos culto ao Coração Sacratíssimo de Jesus “em quem está escondido todos os tesouros de sua sabedoria e ciência”. (...)E com razão, veneráveis irmãos, pois neste muito agradável sinal e nesta forma de devoção oportuna, não é verdade que se contem ali a suma de toda religião e ainda a norma de vida mais perfeita, com que mais eficazmente conduz os ânimos a conhecer intimamente a Cristo Senhor Nosso, e nos impulsiona a amá-lo mais ardentemente, e a imitá-lo com mais eficácia? (...)Mas entre tudo quanto propriamente se refira ao Culto do Sacratíssimo Coração de Jesus, salienta-se a piedosa e memorável consagração com que nos oferecemos ao Coração Divino de Jesus, com todas nossas coisas, reconhecendo-as como recebida da eterna bondade de Deus. Depois que nosso Salvador, movido mais que por seu próprio direito, por sua imensa caridade para conosco, ensinou à inocentíssima discípula de seu coração, Santa Margarida Maria, o quanto desejava que os homens lhe rendessem esse tributo de devoção, ela foi, com seu diretor espiritual o padre Cláudio da laCombiére, a primeira a render esse culto ao Sagrado Coração de Jesus. Seguiram, depois deles, durante o tempo, os indivíduos particulares, depois as famílias privadas e as associações e, finalmente, os magistrados, as cidades e os reinos. (...)Pecadores como somos todos, envolvidos de muitas culpas, não temos de nos limitar a honrar ao nosso Deus somente com aquele culto no qual adoramos e damos os obséquios devidos a Sua Majestade suprema, ou nos reconhecemos suplicantes o Seu absoluto domínio, ou louvamos com ações de graças na sua grandeza infinita, senão que, mais do que isto, é necessário satisfazer a Deus, Juiz justíssimo, “por nossos inúmeros pecados, ofensas e negligências”.(...)Porém, nenhuma força criada era suficiente para expiar os crimes dos homens se o Filho de Deus não houvesse tomado a humana natureza para repará-los. (...)Necessário é não esquecermos nunca que toda força da expiação vem unicamente do cruento sacrifício de Cristo, que de modo incruento se renova sem interrupção em nossos altares...(...) E quanto mais perfeitamente corresponda ao sacrifício do Senhor nossa oblação e sacrifício, que consiste em imolar nosso amor próprio, nossas concupiscências e em crucificar nossa carne com aquela crucificação mística de que fala o Apóstolo, tantos mais abundantes frutos de propiciação e de expiação para nós e para os demais perceberíamos.(...)Ainda é mais triste, veneráveis irmãos, que entre os mesmos fieis lavados no batismo com o sangue do Cordeiro Imaculado e enriquecidos com a graça, tenha tantos homens, de toda a ordem ou classe, com incrível ignorância das coisas divinas, infectados por falsas doutrinas, vivem vida cheia vícios, longe da casa do Pai; vida não iluminada pela luz da fé, nem encorajada pela esperança da felicidade futura, nem aquecida e fomentada pelo calor da caridade, de forma que eles parecem verdadeiramente sentados na escuridão e na sombra da morte. Também se espalha cada vez mais entre os fieis a negligência da disciplina eclesiástica e daquelas antigas instituições em que toda vida cristã se funda e com que a sociedade doméstica é governada e se defende a santidade do matrimônio.(...)As palavras do Apóstolo: ” Onde abundou o pecado, superabundou a graça”, de alguma maneira também se acomodam para descrever nossos tempos; porque embora a perversidade dos homens cresça incrivelmente, maravilhosamente cresce também, inspirando o Espírito Santo, o número de fieis de um e outro sexo que com ânimo resoluto procuram satisfazer ao Coração divino por todas as ofensas que lhe são feitas, e não duvidam ainda em se oferecer a Cristo como vitimas.Quem com amor medite tudo quanto dissemos e no fundo do coração o gravem, não poderão deixar de odiar de se abster de todo pecado como sendo ele o sumo mal, e se entregarão à vontade Divina trabalhando, também, para reparar a honra ofendida da Divina Majestade, seja rezando assiduamente, seja sofrendo pacientemente as mortificações voluntárias e as aflições que sobrevierem, seja, em resumo, ordenando à reparação toda sua vida.(...)Cheguem, finalmente, à benigníssima Virgem Mãe de Deus nossos desejos e esforços, porque quando nos deu o Redentor, quando o alimentava, quando ao pé da cruz O ofereceu como hóstia, por sua união misteriosa com Cristo e singular privilégio de sua graça foi, como se diz piamente, reparadora.

Fonte:modaemodestia.com.br
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