MEMÓRIA E IDENTIDADE



100 anos da Congregação Mariana da Anunciação. Ela nasceu em 12 de março de 1916, um ano e 2 meses antes da visita de Nossa Senhora em Fátima.          

Era um tempo de grandes desafios para a Igreja, um tempo de progresso material, mas também de guerras. O mundo que conhecemos hoje estava nascendo, irreverente, desafiador, questionador da Fé. Neste tempo, o Espírito Santo soprou no coração dos leigos o desejo de se organizaram, de virem em auxílio ao clero na nobre tarefa de levar o mundo ao conhecimento de Jesus, sem covardias e sem concessões. As Congregações Marianas, que já tinham uma longa história de intensa vida cristã, experimentaram uma extraordinária multiplicação. Nossa Congregação foi a primeira das várias que existiam em nossa querida cidade de Santos. É extensa a lista de serviços prestados a esta Diocese pela causa da evangelização e da moralidade dos costumes, da cultura, dos esportes, da sadia diversão e, cito especialmente, da instrução básica, pois esta associação manteve a Escola Noturna Santo Inácio, de ensino básico, por muitos anos. Recordo com gratidão daqueles homens e mulheres abnegados que construíram nossa história, alguns cujos nomes são conhecidos da sociedade santista, como Aristóteles Ferreira e Antonio Ablas Filho. Este é o dia que o Senhor fez para nós. É o dia de honrarmos a memória de nossos antepassados. Coisa excelente e tão negligenciada hoje em dia: a memória, o legado, dos que existiram antes de nós e também daqueles que, ainda vivos, deram um pouco de seu tempo pela associação. Mesmo que não existisse mais nenhuma atividade nesta Congregação, ainda assim seria oportuníssimo que esta data fosse lembrada por aqueles que dela tem conhecimento de causa. Digo isto porque a razão de estarmos reunidos hoje não é simplesmente para colocar mais um evento em nossa balança anual de atividades. Não. A nossa história merece a devida atenção por si mesma, pelo que ela significou para tantas pessoas e indiretamente para seus descendentes, alguns dos quais talvez hoje não façam a menor idéia do que seja o marianismo ou mesmo a religião.

Muitos agradecimentos a fazer. Em primeiro lugar, a Nosso Senhor e sua Mãe Santíssima, por nos ter permitido chegar até aqui, entre dificuldades, mas conservando uma chama acesa. O que seríamos nós se não fosse Cristo agindo por Maria? Agradeço aos meus irmãos e irmãs, congregados, que compõem o grupo atual desta associação, que, apesar das limitações impostas seja pela idade, seja pela correria cotidiana, acreditam na continuidade de trabalho mariano e tem a devida paciência com este que vos fala. Deus lhes pague. Agradeço ao padre Toninho pelo apoio, pelas orações e pelo espaço dado à Congregação nas atividades paroquiais. Quão importante é o sacerdote na vida de uma comunidade cristã. Agradeço aos amigos paroquianos, à Secretaria da paróquia e à zeladoria, na pessoa do Seu José, por todos os favores, mesmo os mais simples, prestados a nossa associação. Agradeço aos amigos que vieram de fora da região, alguns dos quais não puderem vir, pelo carinho e pelas orações. Agradeço, por fim, pela vida daqueles que já se foram, desde o início até bem recentemente, e que dedicaram parte de sua vida por esta Congregação Mariana, da maneira como puderam. Que nossos irmãos e irmãs falecidos, pela misericórdia de Deus, descansem em paz.

Uma Congregação Mariana procura aperfeiçoar a si e a outros no conhecimento da Fé e no senso religioso. Procura sempre iluminar o ambiente que a cerca de critérios cristãos, de ordem, de piedade, de verdadeira caridade, mas sempre reconhecendo-se limitada, imperfeita pelo pecado, necessitada da graça de Deus e dependente da Santa Igreja. Quem vem em nosso socorro para fazer-nos acreditar que devemos seguir em frente? Maria, nossa Mãe Santíssima. Nosso Senhor nos foi dado por meio de Maria e é por meio dela que chegamos a ele, é por ela que o Príncipe da Paz quer trazer a paz para a Terra. Ela é o nosso farol, aquela que foi posta por Deus a nossa frente, abrindo o caminho. Ela é para nós uma seta, um canal e um escudo. Seta para o céu, canal da Graça e escudo contra os poderes da trevas. De Maria, nunca se falará o suficiente. Mas não custa nada tentar, e é por isso que existe a Congregação Mariana. Como disse São Bernardo, Deus reuniu as águas e fez surgir o mar; reuniu as suas graças e fez surgir Maria. Salve Maria!

Por José Renato Leal, em discurso proferido na Festa do Centenário (12/03) 

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