“O bom Deus não pode inspirar desejos irrealizáveis”

Santa Teresa do Menino Jesus, padroeira da Missão católica, congregada mariana

Meu Deus, quão diferentes são os caminhos pelos quais enveredais as almas! Vemos na vida dos santos como grande número deles não deixaram de si vestígio algum depois da sua morte, nem ao menos uma pequena recordação, nem um escrito sequer. Outros, pelo contrário, como a nossa Madre Santa Teresa, deixaram à Igreja os tesouros de sua sublime doutrina, e não tiveram receio de revelar os segredos do Rei (Tob 12,7), afim de que Ele seja sempre mais conhecido e amado das almas. Destes dois caminhos, qual será mais do agrado de Nosso Senhor? A meu ver, ambos lhe são igualmente agradáveis. Todos os prediletos de Deus obedeceram à inspiração do Espírito Santo, que disse pelo Profeta: “Dizei ao justo que ele será bem sucedido” (Is 3,10). É assim mesmo, tudo corre prosperamente a quem só procura cumprir a vontade divina; eis aí o motivo por que eu, pobre florzinha, obedeço a Jesus, cuidando de ser agradável a quem junto de mim é o seu representante nesta terra. Não ignora minha Madre que sempre aspirei a tornar-me santa, mas ai! ... sempre que me comparei aos santos, verifiquei que entre mim e eles vai a mesma diferença que existe na natureza entre a montanha, cujo cume mergulha nas nuvens, e o humilde grãozinho de areia que pisam os transeuntes.

Nem por isso perdi o ânimo, antes disse para mim mesma: “Deus Nosso Senhor não há inspirar desejos irrealizáveis; é-me lícito, portanto, apesar de minha pequenez, aspirar à santidade. Não me sendo possível crescer, só resta a resolução de suportar-me tal qual me vejo com as minhas inúmeras imperfeições; quero todavia procurar o meio de chegar ao céu por uma pequena senda direta, por um atalho, uma veredazinha inteiramente nova. Estamos vivendo num século de grandes inventos, já não custa fadigas subir os degraus de uma escadaria; as casas abastadas tem lá elevadores que a substituem vantajosamente. Quisera eu também descobrir um elevador para me levar até Jesus, pois sou tão pequenina, que me falecem as forças para alcançar até o fim a escada íngreme da perfeição”.

Pedi logo aos Livros Sagrados que me indicassem o elevador cobiçado, de deparei com estas palavras da mesma Sabedoria eterna: “Todo aquele que é simples e pequenino venha a mim” (Prov 9,4). Cheguei-me portanto a Deus, persuadida de ter enfim descoberto o que andava procurando. (...)

Extraído da obra História de uma Alma, de Santa Teresa do Menino Jesus, memória litúrgica em 01 de outubro
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