Pedro se ausentou, mas apenas por um tempo...


Por José Renato Leal
janelacatolica@blogspot.com

Meus caros amigos e amigas, a Sé está vacante. Na quaresma de 2013, a Igreja experimenta aquele estranho silêncio. Na cabeceira da mesa do banquete dos cristãos, o lugar está vazio. As chaves do Reino dos Céus permanecem recolhidas.

Neste tempo histórico, recordo-me de algumas passagens do Evangelho. Na Santa Ceia, Nosso Senhor disse aos apóstolos: "Digo-vos a verdade: convém a vós que eu vá!". Tive uma forte impressão de que esta frase representa muito bem aquela intenção e sentimento que moveu Bento XVI ao tomar tão gravíssima decisão. Os apóstolos estavam apreensivos, tristes, com a iminência dos sofrimentos do Mestre. Diz Nosso Senhor: "Convém a vós que eu vá!". E assim diz Joseph Ratzinger também: "Convém a vós que eu vá!". Diz Nosso Senhor: "Não se perturbe o vosso coração. Creiam em Deus, creiam também em mim". Também deve pensar Bento XVI: "Não se perturbem. Acreditem em Deus, acreditem no Senhor." Tenho a convicção de que Bento XVI tem algo muito importante em mente. Se ele agiu como agiu, é porque prevê como a Igreja poderá se beneficiar disto. Um indício é a decisão de morar dentro do Vaticano. O próximo Papa poderá assim contar, rapidamente, com os bons conselhos de Bento XVI. 

Disse também Nosso Senhor na última Ceia: "Em verdade, em verdade vos digo: haveis de lamentar e chorar, mas o mundo há de se alegrar. E haveis de estar tristes, mas a vossa tristeza se há de transformar em alegria." Tais palavras também se aplicam a nós hoje. Pedro se ausentou, mas apenas por um tempo... O Espírito Santo há de nos dar outro Pontífice sobre a cadeira de Pedro. A alegria do mundo está na vã expectativa de um Pastor que faça suas vontades, de um Pastor que traia a Infabilidade. A renúncia do Santo Padre reacendeu esta vã e distorcida esperança mundana. Nossa tristeza pela saída de Bento XVI se há de transformar em alegria, quando formos testemunhas, mais uma vez, da força das palavras de Nosso Senhor: "E as portas do Inferno não prevalecerão contra ela [a Igreja]", quando a Providência Divina nos der um novo Servo dos Servos.

Vamos rezar pelos Cardeais que participarão do Conclave. Embora receba da parte de Deus a Infabilidade, ou seja, a capacidade de nunca ensinar o erro em matéria de Fé ou Moral ao falar ou escrever na qualidade de Chefe da Igreja, o Papa permanece tão suscetível ao pecado pessoal quanto eu, simples fiel. O Papa, infalível no ensino, pode falhar na conduta particular e no modo de tratar os fiéis. É por isso que São Pedro, o primeiro Papa da Igreja, foi duramente repreendido por São Paulo. É por isso que temos sim que rezar para que o próximo Papa seja um homem enriquecido de qualidades humanas. A grande maioria dos Papas da Igreja foram homens com fama de santidade ou de grande integridade moral. Mas alguns tiveram uma vida censurável em mais de um ponto. Isto pode nos entristecer ou indignar, mas não nos surpreender. Nosso Senhor já havia nos alertado que permitiria que o joio crescesse junto com o trigo. Nesta misteriosa permissão, manifesta-se o poder de Deus. Quer nos mostrar o Senhor que Ele tem o poder de dar a sua Igreja a capacidade de sobreviver a todo tipo de adversidade, inclusive aquela que surge de dentro de suas estruturas humanas. A sã doutrina da salvação prevalece contra os ataques da fraqueza humana. E na pessoa do Papa, a autoridade de Cristo presente nele resiste aos pecados pessoais cometidos pelo Papa, tal como um diamante que não se deixa corroer pela lama na qual é lançada.

Rezemos pela unidade da Igreja, pelo iminente Conclave e pelo próximo Papa. 
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