O Magistério Vivo da Igreja e as Sagradas Escrituras


O Magistério Vivo da Igreja - Parte III
Por Dom Fernando Arêas Rifan

No caminho do bem e da verdade não pode haver erros ou enganos, pois está em jogo a nossa salvação eterna. Por isso Nosso Senhor, em sua sabedoria divina, para nos guiar seguramente, não deixou apenas as fontes da Revelação, a Sagrada Escritura e a Tradição oral, mas também guias vivos que nos orientassem sobre elas, sua autenticidade, veracidade e interpretação. Guias vivos que acompanhassem o caminhar da Igreja até a consumação dos séculos: “Eis que eu estou convosco todos os dias até ao fim do mundo” (Mt 28, 20). “Quem vos ouve a mim ouve, quem vos despreza a mim despreza” (Lc 10,16).

Ensina-nos o Papa Pio XII: “A norma próxima e universal da verdade” é o “Magistério da Igreja”, “visto que a ele confiou Nosso Senhor Jesus Cristo a guarda, a defesa e a interpretação do depósito da Fé, ou seja, das Sagradas Escrituras e da Tradição divina” Nota 6 . “Porque para explicar as coisas que estão contidas no Depósito da Fé, não foi aos julgamentos privados que o Nosso Salvador as confiou, mas sim ao Magistério Eclesiástico” Nota 7 .

Por isso escreve Santo Agostinho: “Eu não creria no Evangelho, se a isto não me levasse a autoridade da Igreja católica” Nota 8 .

O livre exame, ou seja, a interpretação privada que cada qual fizesse das fontes da Revelação, seria a maior fonte de divisões: “quantas cabeças, tantas sentenças” Nota 9 .

Martinho Lutero, com o seu princípio do livre exame e o da “sola Scriptura”, citava a Epístola aos Romanos contra a doutrina católica: a Bíblia sem o Magistério e contra ele; “Cristo sim, a Igreja não!” Nota 10 Criou assim o protestantismo, que se fragmenta em seitas cada dia mais, todos com a Bíblia na mão. Ademais, os protestantes atuais citam São Bernardo e Santo Tomás de Aquino contra a doutrina da Igreja sobre Imaculada Conceição de Nossa Senhora: é a Tradição sem o Magistério e contra ele.

Infelizmente, esse princípio protestante do “livre exame” tem penetrado nos meios católicos ligados à tradição. Contra esse princípio nos advertia Dom Antônio de Castro Mayer quando escrevia: “Ninguém tem o direito de julgar a palavra do Papa e só aceita-la se receber seu beneplácito” (Veritas abril-maio/1980, pág 8).

Mas “o encargo de interpretar autenticamente a Palavra de Deus, escrita ou transmitida, foi confiado exclusivamente ao Magistério vivo da Igreja, ao Papa e aos Bispos em comunhão com ele, cuja autoridade é exercida em nome de Jesus Cristo” Nota 11 . “Por designio sapientissimo de Deus, a Sagrada Tradição, a Sagrada Escritura e o Magisterio da Igreja são de tal forma conexos e unidos entre si que um, sem os outros, não pode subsistir, e que todos juntos, cada um segundo o seu modo, sob a ação do mesmo Espirito Santo, contribuem eficazmente para a salvação das almas” Nota 12 .

Santo Tomás de Aquino nos ensina: “O que possui a mais alta autoridade é o costume da Igreja, que deve ser preferido a tudo o mais, pois a própria doutrina dos doutores católicos tira da Igreja a sua autoridade. Por onde, devemos nos apoiar, antes, na autoridade da Igreja do que na de Agostinho, de Jerônimo ou de qualquer outro doutor”Nota 13

“Não compreendemos, portanto, como se possa formar católicos, ignorando totalmente a fonte mais próxima da verdade revelada, que é o Magistério vivo. Só por semelhante atitude se tornam suspeitos os fautores de um novo cristianismo”. Nota 14

O Magistério que Cristo instituiu é, assim, um Magistério vivo, feito de pessoas vivas, que nos guiassem perpetuamente em todos os momentos, que nos acompanhassem na caminhada, que interpretassem os princípios perenes e os aplicassem nas diversas circunstâncias que apareceriam.

O Papa Leão XIII ensina: “É pois evidente... que Jesus Cristo instituiu na Igreja um magistério vivo, autêntico e, além disso, perpétuo, que ele investiu da sua própria autoridade, revestiu do espírito de verdade, confirmou por milagres e quis e mui severamente ordenou que os ensinamentos doutrinais desse magistério fossem recebidos como os seus próprios” Nota 15 .

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