FALA O PRESIDENTE

A paz não está na desordem.
Por José Renato Leal

Presidente da CM da Anunciação

O que é a paz? A paz, segundo Santo Agostinho, é a tranquilidade da ordem. O que isto significa? Que a paz que vem de Cristo é fruto de um estado de vida em acordo com a Lei de Deus. Quando vivemos fora da Lei de Deus – preferindo a nossa vontade que o Evangelho – qualquer sensação de bem estar que possamos experimentar não é a paz verdadeira, mas é um mero sentimento humano, que rapidamente pode se extinguir ou, pior, terá serventia apenas para esta vida terrena, mas não para a vida eterna.

A paz não está na desordem. Quais são as desordens deste mundo? A liberdade sem Deus, sem Cristo e sem Igreja, que é uma falsa liberdade; o apego às coisas deste mundo e o desinteresse pelas coisas espirituais; a imoralidade em todas as áreas da vida humana; a falta de caridade, não apenas com relação ao auxílio material, mas no trato cotidiano entre as pessoas, mesmo entre nós, irmãos de Fé. É comum termos o nosso próximo como um fardo, um obstáculo, uma coisa qualquer. Nosso olhar para o próximo tem sido indiferente e enviesado.

Quantas oportunidades de paz e união nós perdemos por conta de nossa rabugice ensimesmada, preocupada apenas com o pequeno círculo de nossas amizades e interesses particulares. Abramos o nosso coração. Sem isto, não nos salvaremos. Sejamos como uma cidade fortificada, mas com as portões abertos para a caridade. Sejamos simples, como Cristo foi simples.

Que outras desordens podemos listar? O desprezo pela vida humana nos momentos em que ela mais necessita de proteção: contra a criança que cresce no ventre materno, vemos surgir todos os dias iniciativas particulares e governamentais a favor do aborto.

Vemos também a desvalorização da ideia da Família: homem e mulher, unidos por toda a vida, no amor e na criação dos filhos que Deus lhes enviar. A sociedade modernista na qual vivemos procura meios de facilitar e tornar coisa comum e normal o divórcio e a anticoncepção.

Cristo disse: “O homem deixará seu pai e sua mãe e se unirá a sua mulher”, conforme está escrito em Marcos 7, 10. Não é possível deixar de reconhecer a validade das claras palavras do Senhor e tentar relativizar o modelo familiar que nós recebemos do Senhor.

Reconheçamos diante de Deus que temos prestado nossa adesão a propostas estranhas à vida cristã ou, ao menos, não temos nos oposto a estas coisas como se requer. Vivemos – e temos ajudado a criá-la, confessemos – numa sociedade que persegue obstinadamente o bem estar e o entretenimento. O Reino de Deus não é bem estar e entretenimento, mas obediência, renúncia, sacrifício, tal como foi a vida de Nosso Senhor.

Que mais podemos dizer sobre nosso tempo? Ah! A criminalidade desenfreada! Ela cresce não apenas em número (56.000 homicídios por ano em nosso país), mas cresce também em torpeza e crueldade. Tais atos, para nossa perplexidade, são praticados muitas vezes por jovens em idade escolar que se encontram destituídos de todo senso de respeito pela vida e que vivem apenas com o objetivo de levar vantagem, nem que isto custe a vida de um pai e mãe de família.

Devemos destacar o avanço do narcotráfico, um dos maiores males do nosso tempo, não apenas pela disseminação do consumo das drogas, mas também por fazer os jovens desistirem do bem, da verdade, da justiça. É inaceitável diante disso que políticos e partidos possam propor tranquilamente a legalização de drogas ilícitas. Que mensagem estaremos passando aos nossos descendentes se aprovarmos estas coisas? Um cego não pode servir de guia. Abramos hoje nossos olhos para deixar um puro legado aos filhos e netos.




Pais

Por Osmar Novoa (in memoriam)
Presidente da CM da Anunciação (2012-2013)




Desde o mês de julho, a TV e os jornais têm chamado a atenção dos ouvintes e leitores para a chegada do Dia dos Pais, comemorado sempre em agosto.Se prestarmos atenção a esses "avisos", vemos que o objetivo é o de aproveitar a data para vender maior quantidade de artigos masculinos e, portanto, auferir maior receita. É o trabalho deles (TV e jornais) a serviço de seus clientes e comerciantes.

A tela da TV nos mostra crianças saudáveis, transbordantes de felicidade, entregando presentes ao seu querido pai. Tudo muito lindo se não representasse, infelizmente, uma pequena parcela do quadro real em que vivemos.

Nesta longa jornada de nove décadas, cujo término só Deus sabe, temos visto pais jogados na sarjeta, os moradores de rua, com histórias mais diversas, mas com um ponto comum: o desamor. Uns recebiam atenção enquanto empregados: podiam dar o que seus "queridos filhos" pediam ou até exigiam. Desempregados e perdendo o afeto dos filhos, deixam o lar aumentando o número de moradores de rua. Outros, com a perda do amor filial, partem para o uso de drogas aprofundando-se cada vez mais no mar de lama de cruel realidade.

Que dizer de tantos e tantos pais, jogados numa cama de hospitais, asilos e abrigos, vendo os dias, meses e até anos se passarem sem a visita de um filho, ao menos para saber se o "velho" ainda existe.

Para que no dia de amanhã não sejamos incluídos entre os abandonados, é preciso que desde já cumpramos o nosso dever como pai: não só dar amor e conforto, mas exemplo de honestidade, de espírito de lutador, ser caridoso, sabendo ajudar os mais necessitados.

Por fim, ser um homem verdadeiramente de fé, não bastando dizer que encaminha os filhos à igreja para fazerem a comunhão. Isso é muito pouco. O pai que tem fé não pode deixar de participar da missa dominical, de preferencia em companhia da esposa e filhos. O bom pai deve estudar a nossa religião, fazer parte de algum movimento na igreja de sua paróquia, ler a Bíblia tão rica de ensinamentos e, se possível, com a ajuda de um padre.

Neste mês de agosto, de modo especial, roguemos a Deus para que ilumine a todos nós, pais, para que, com a proteção de nossa Mãe Santíssima, cumpramos com dignidade nossa verdadeira missão que é a de dar exemplo.
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