AS REGRAS COMUNS

CONFORME A EDIÇÃO DE 1957 DO MANUAL DOS CONGREGADOS,
EDITADO PELA CONFEDERAÇÃO NACIONAL DAS CONGREGAÇOES MARIANAS 


I - Regras Comuns 

Título Primeiro 
Do fim e natureza das Congregações Marianas 

1 – Natureza e fim

As Congregações Marianas, instituídas pela Companhia de Jesus e aprovadas pela Santa Sé, são associações religiosas que têm em vista fomentar nos seus membros uma ardentíssima devoção, reverência e amor filial para com Nossa Senhora, e, por esta devoção e pelo patrocínio de tão boa Mãe, tornar os fiéis, reunidos em nome dela, bons cristãos, que sinceramente se esforcem por santificar-se no seu estado e se dêem deveras, quanto a posição social lhes permitir, a salvar e santificar os outros e a defender a Igreja de Jesus Cristo dos ataques da impiedade.

2 – Ereção e agregação

O poder de erigir Congregações Marianas compete, pelo próprio direito, ao Ordinário do lugar.
Ao Padre Geral da Companhia de Jesus ou ao Vigário Geral compete, exclusivamente, conforme as Leis Apostólicas, agregá-las à Prima Primária romana e comunicar-lhes as indulgências e privilégios a esta concedidos pelos Sumos Pontífices.

3 – Título Primário e secundário

Visto ser Nossa Senhora a padroeira principal destas Congregações, como do próprio nome delas se depreende, todas a devem ter por Padroeira Primária, tomando por título algum mistério ou invocação sua. Isto não impede que ao título principal se possa acrescentar outro de qualquer padroeiro secundário.

4 - Membros

Ainda que as Congregações Marianas sejam instituídas para toda a classe de fiéis, convém, entretanto, à sua constituição orgânica e ajuda a obter mais eficazmente os seus fins, instituir Congregações especializadas de acordo com a idade, estado ou condição, de maneira que haja Congregações para crianças, jovens, adultos, estudantes, operários, etc.

Título Segundo 
Dos exercícios comuns das Congregações Marianas 

5 - Reuniões

As Congregações Marianas devem ter as suas reuniões ao menos uma vez por semana, no dia e hora que as suas regras ou costume particular determinarem. Se não houver impedimento especial, convém que a reunião geral da Congregação se faça todos os domingos e dias santos de guarda. Estas reuniões não devem omitir-se nos dias determinados, a não ser no caso de estarem ausentes os congregados, ou por outro grave impedimento.

6 – Programa da Reunião

Os exercícios ordinários destas reuniões costumam ser:
a) Invocação do Espirito Santo pelo hino Veni Creator;
b) Leitura de um livro piedoso durante dez ou quinze minutos, enquanto se reúnem os congregados;
c) Anunciar, onde for costume, as festas dos Santos e o Calendário de cada semana, quer seja o comum, quer o próprio e aprovado para estas Congregações;
d) Cantar as Matinas e Vésperas ou Oficio pequeno de Nossa Senhora, conforme a reunião se fizer de manhã ou de tarde. Este Ofício pode ser substituído por outro qualquer de Nossa Senhora;
e) Breve exortação feita pelo Pe. Diretor sobre coisas atinentes ao proveito espiritual dos congregados;
f) Finalmente, recitação das Ladainhas de Nossa Senhora, de algumas orações ao Padroeiro secundário da Congregação, ou as que o costume tiver introduzido.

7 – Reuniões extraordinárias

Além destas reuniões ordinárias, devem as Congregações Marianas ter outros atos religiosos extraordinários, como são as Comunhões gerais, os Exercícios Espirituais de S. Inácio e as festas solenes dos Padroeiros próprios de cada Congregação.

8 – Comunhão Geral

A Comunhão Geral dos Congregados realizar-se-á uma vez a cada mês, em dia fixo, quanto possível dedicado a uma festa de Nosso Senhor ou Nossa Senhora, se não houver motivo especial para ser em outro dia.

9 – Retiro anual

Os Exercícios Espirituais far-se-ão cada ano durante alguns dias, terminando pela Comunhão Geral. O Diretor de cada Congregação, vistas as circunstâncias, marcará a data, a duração e o horário. Convém, todavia, ter presente que a Quaresma é ordinariamente a melhor época. A maneira mais eficaz de fazer estes Santos Exercícios é fora do mundo e dos amigos, nos chamados Retiros fechados. Se isto não for possível e nem o dia inteiro se puder empregar neles, convém prolonga-los por seis dias, com duas reuniões ao menos durante o dia, uma de manhã, outra de tarde ou à noite, em que possam fazer-se os principais exercícios: leitura espiritual, meditação, práticas, Missa e Rosário.

10 – Festas titulares

As festas titulares das Congregações devem celebrar-se todos os anos com solenidade religiosa. Seria bom, para maior louvor e glória de Nossa Senhora, Padroeira principal, preceder sua festa de uma novena ou tríduo. Nas Congregações cujo Padroeiro secundário é São Luiz Gonzaga, e ainda em outras, é costume honrar-se o santo jovem com piedosa prática dos seis domingos.

11 – As solenidades

Celebram-se essas festas com solenidades. Em geral, todos os atos públicos se devem fazer com a pompa que permitirem as posses da Congregação e a condição social dos Congregados, evitando sempre a vã ostentação, que longe de aproveitar ao fim próprio da Congregação, prejudica seu bom espírito.

Título Terceiro 
Das seções e academias 

12 – Obras de apostolado

Como as Congregações Marianas tem por fim levar à maior perfeição os seus membros e fazer que a muitos outros se estenda o seu salutar influxo em bem das almas, é mister que procurem, intensamente, fomentar de vários modos a piedade nos Congregados e move-los à pratica de obras de caridade com o próximo. Estas obras serão, principalmente, o ensino da doutrina cristã, visitas aos enfermos nos hospitais e aos presos nos cárceres - obras a que se votaram com grande zelo as antigas Congregações, - e outras semelhantes, que as necessidades do tempo moderno requerem nos vários lugares.

13 – Seções apostólicas

Para a boa realização destas obras, convirá se o número dos Congregados o permitir, organizar seções particulares com forma de vida própria, sempre subordinadas à autoridade que governa a Congregação.

14 – Academias e círculos

É também muito conforme aos estatutos primitivos das Congregações Marianas que haja nestas, mormente se são estudantes, uma ou mais Academias, em que os jovens se exercitem em trabalhos científicos, literários, artísticos ou econômicos para se aperfeiçoarem nos seus estudos ou profissão e adquirirem, sob a direção de pessoas competentes, um são critério nas questões de fé e com a moral Católica.

Título Quarto
Do governo das Congregações Marianas

15 – Dependência do Bispo

As Congregações Marianas estão sujeitas ao Ordinário do lugar, tanto na aprovação das Regras, como na administração espiritual e temporal e em tudo o que diz respeito à Visita Canônica.

16– Extensão da autoridade

Salvas as limitações do direito comum e as que fixarem as portarias de nomeação ou as disposições particulares aprovadas da Congregação, o Diretor nomeado pelo Ordinário tem, na Congregação, plenos poderes no que toca o regime, governo e administração espiritual e temporal, podendo para isto sem prejuízo das Regras sancionadas, estabelecer as disposições que em sua prudência julgar oportunas.

17 – Nomeação dos Diretores

O direito de nomear Diretores para as Congregações Marianas compete ao Ordinário do lugar.

18 – A Diretoria

Para ajudar o Padre Diretor no governo e administração da Congregação, há nela um corpo de congregados, constando ordinariamente do Presidente, dois Assistentes, Secretário, seis ou mais Consultores, instrutor dos Candidatos e Tesoureiro. São estes os Oficiais Maiores e os únicos que constituem a Diretoria. Se as circunstâncias o exigirem, o Diretor nomeará Vice-Secretário, Vice-Instrutor, Vice Tesoureiro, ou outros cargos novos, podendo dar a categoria de Oficiais Maiores aos congregados que exercerem estes cargos.

19 – Os oficiais menores

Os Oficiais Menores, como Sacristães, Apontadores, Bibliotecários e Leitores, exercem ofícios meramente executivos, ainda que alguns sejam de grande utilidade prática. Estes oficiais serão em maior ou menor número, conforme a necessidade de cada Congregação.

20 – Nomeação ou eleição da Diretoria

A nomeação dos Oficiais Menores dependerá da livre escolha do Padre Diretor. Quanto aos membros do Conselho ou Oficiais Maiores, nas Congregações em que não for de costume serem também eles escolhidos pelo Diretor e não parecer conveniente, por graves razões, introduzir tal costume, serão eleitos pelos congregados, por maioria de votos, de ternas que para cada ofício o Diretor tiver formado. Nas Congregações novas siga-se uma ou outra praxe, conforme a prudência aconselhar, tendo em vista as circunstâncias e o maior bem da Congregação. Se alguma vez, por causa das circunstâncias e do fim da Congregação Mariana, parecer melhor outro modo de eleger os Oficiais Maiores ou Menores, é livre empregá-lo.

21 – Duração dos cargos

Os Ofícios costumam renovar-se cada ano, no tempo determinado pelas Regras ou pelo costume particular. Os Ofícios que vagarem fora desse tempo, serão providos pelo modo acima indicado.

22 – Atribuições da Diretoria

Os Oficiais do Conselho, como os Oficiais Menores, usarão das suas atribuições na medida e nas condições que lhes forem comunicadas pelo Diretor. E à sua autoridade ficam sujeitos, individual e coletivamente no exercício das suas funções.

Título Quinto
Da admissão e exclusão dos congregados


23– Admissão de candidatos

Todo aquele que desejar entrar na Congregação, faça o seu pedido ao Diretor. Só este tem autoridade para admitir. Se for possível, apresente o pedido de admissão por meio de um congregado que o proponha. O candidato deve sobretudo ser de costumes irrepreensíveis, ter as condições de idade, estado, profissão, etc., requeridas na Congregação que pretende e propor firmemente cumprir com fidelidade as Regras.

24 – Provação dos candidatos

A admissão definitiva deve ser precedida de um tempo de prova nunca inferior a dois meses. Neste tempo o candidato estará obrigado a cumprir todos os deveres que a Congregação impõe aos seus membros. O que vier de outra Congregação pode ser logo admitido, se apresentar guia de transferência assinada pelo Diretor da Congregação de onde vem, da qual conste o seu bom comportamento e assiduidade nos atos da Congregação. Quem não vier diretamente de outra Congregação, ainda que antes tenha sido Congregado, será sujeito a prova mais ou menos longa, a juízo do Diretor.

25 – Datas para a recepção

A admissão solene dos novos Congregados far-se-á duas ou mais vezes no ano, nas festas titulares da Congregação ou outras principais de Nossa Senhora.

26 – Consulta para a admissão

Estando próxima a data da admissão solene dos candidatos, proponha o Diretor ao Conselho os nomes daqueles que, a seu juízo, podem ser admitidos, e mande aos Oficiais do Conselho que dêem com simplicidade o seu parecer e exponham o que houver contra a admissão. O Diretor, em vista das observações do Conselho, determinará o que a respeito de cada um julgar melhor: se deve ser admitido no número dos congregados, se se lhe deve prorrogar o tempo da prova, ou se deve ser excluído da Congregação.

27 – Ritual da recepção solene

A recepção solene dos Congregados deve ser feita em reunião plena da Congregação, assistindo à cerimônia junto do Diretor ou outro sacerdote por ele delegado, o Presidente, o Secretário e o Instrutor. Os novos congregados, quando forem chamados pelo Secretário, acercar-se-ão do altar e recitarão de joelhos o Ato de Consagração a N. Senhora.
Depois o Padre Diretor imporá aos candidatos a fita da Congregação com a fórmula costumada, e declará-los-á.
A inscrição dos nomes dos novos Congregados no livro da Congregação nunca se deve omitir.

28 – O essencial na recepção

O Diretor pode, em casos particulares, dispensar das formalidades prescritas para a admissão. Para validade desta, em rigor, basta que tanto o sacerdote como o candidato manifestem a sua vontade por algum sinal exterior.

29 - Congregações de diferentes classes

Na Congregação de uma classe ou condição de pessoas, não se pode admitir pessoa de outra classe ou condição, a não ser que o Diretor, por justas razões, julgue de outro modo.

30 – Congregado para sempre

Os Congregados, uma vez admitidos na Congregação, ficam sempre membros dela se espontaneamente não a deixarem, ou não forem demitidos por indignos.

31 - Exclusão

Da Congregação será excluído todo congregado ou candidato que faltar notavelmente aos deveres comuns de bom cristão, ou aos particulares que lhe impõe a regra. A exclusão será sempre decretada pelo Diretor, que ouvirá previamente o Conselho, nos casos mais difíceis.

Título Sexto 
Dos deveres comuns a todos os Congregados 

32 – Obrigação das regras

Ainda que as regras da Congregação por si não obrigam sob pecado, nem mortal, nem venial, deixando em cada matéria o grau de obrigação que tem por lei divina ou eclesiástica, devem, contudo, os Congregados, tê-las em grande estima e esforçar-se por cumpri-las com exatíssima fidelidade, porque voluntariamente as aceitaram no dia da entrada na Congregação e porque nelas se concentram os meios eficazes para alcançar o fim da Congregação.

33 - O bom congregado

O bom congregado deve, acima de tudo, ser um cristão exemplar, conformando perfeitamente sua fé e os seus costumes com o que ensina a Santa Igreja Católica, louvando o que ela louva e reprovando o que ela reprova, sentindo como ela sente em todas as coisas, não se envergonhando nunca, seja na vida particular, seja na vida pública, de proceder como filho obediente e fiel de tão Santa Mãe.

34 – Exercícios de piedade

Procurem os Congregados fazer com toda diligência os exercícios de piedade, que são sobretudo necessários para a vida de fervor. Todos os dias ao se levantarem, façam breves atos de fé, esperança e caridade, deem graças à Divina Majestade pelos benefícios recebidos, ofereçam a Deus as suas obras com intenção de lucrar todas as indulgências que puderem naquele dia e invoquem Nossa Senhora, rezando pelo menos três vezes a Saudação Angélica. Dediquem ao menos um quarto de hora a oração mental. Assistam, se puderem, ao Santo Sacrifício da Missa. Rezem o Santíssimo Rosário ou qualquer Ofício de Nossa Senhora. À noite, antes de deitar, examinem diligentemente a consciência e façam um fervoroso ato de contrição dos pecados de toda a vida e especialmente dos cometidos no dia.

35 – Ocasiões de pecado

Evitem diligentemente qualquer amizade ou conversação desnecessária com pessoas más ou suspeitas. Guardem-se de leituras e espetáculos inconvenientes. Em geral, fujam de todas as ocasiões de perigo espiritual ou de escândalo e desedificação ao próximo.

36 – Direção espiritual

Quanto for possível, tenha o congregado confessor certo, homem pio, douto e prudente. A ele manifeste, com toda sinceridade, o estado da sua consciência e por ele se dirigir em tudo o que respeita à vida espiritual.

37 – Frequência dos sacramentos

Antes de receber a fita de congregado, deve o candidato fazer uma confissão geral se o confessor não julgar o contrário. E depois, não se contente só com as comunhões gerais prescritas na Regra, mas receba os Sacramentos com a freqüência que lhe aconselhar o confessor.

38 – Confissão geral

É muito bom conselho para todos, o que deu o Sumo Pontífice Bento XIV, que, uma ou duas vezes no ano, se faça confissão geral, começando da última que se fez. Ora, isto cada um pode cumprir facilmente, no tempo dos Exercícios Espirituais, no retiro do mês ou no fim do ano.

39 – Comunhão frequente

Tenham como feita a si, de modo especial, a exortação à comunhão frequente e cotidiana, dirigida aos fieis da Santa Sé; portanto, muito se recomenda a todos os congregados que não se contentem em receber o Pão Eucarístico só nos dias em que podem lucrar indulgência plenária, mas procurem adquirir o piedoso e salutar costume de se acercarem muitas vezes e até todos os dias da Sagrada Mesa.

40 – Devoção Mariana

A Santíssima Virgem Maria é padroeira principal das Congregações Marianas; os Congregados devem, pois, ter-lhe uma devoção muito particular, esforçar-se por imitar suas exímias virtudes, colocar nela toda a confiança e animar-se mutuamente a amá-la e servi-la com piedade filial.

41 – Freqüência às reuniões

Procurem com o máximo empenho assistir às reuniões gerais da Congregação, tanto ordinárias como extraordinárias. A presença pode ser anotada de vários modos, segundo o costume de cada Congregação. O congregado que não puder assistir a alguma reunião deve, o mais depressa possível, por palavra ou por escrito, justificar sua ausência ao Padre Diretor.

42 – Seções obrigatórias

Sendo muito conforme ao espírito da Congregação, com se disse no Título terceiro, a instituição de Seções particulares, destinadas a fomentar a piedade e o exercício do zelo e caridade cristã, é muito para desejar que todos tomem parte de alguma destas Seções, (e até convirá tornar isto obrigatório onde as circunstâncias o permitirem). A obrigação que a cada um incumbe de assistir, em harmonia com os seus estudos e profissão, às Academias, se as houver, dependerá das regras particulares de cada Congregação.

43 – Zelo dos congregados

Procurem todos, quanto lhes for possível, mesmo individualmente, exercitar o seu zelo nas obras de misericórdia, espirituais e corporais e, de modo particular, em atrair à Congregação elementos aptos. Assim, cada congregado se tornará um verdadeiro apóstolo da glória de Deus e de Sua Mãe Santíssima.

44 – Obediência à Diretoria

Em tudo o que diz respeito à vida da Congregação, obedeçam com vontade pronta e submissa às ordens e conselhos do Padre Diretor. Prestem a devida honra e obediência ao Presidente e mais dignitários e também aos Oficiais Menores, nas coisas de seus cargos.

45 – Caridade fraterna - Sufrágios

Tratem-se uns aos outros com amor fraterno e caridade cristã e peçam muito a Deus pelas necessidades da Congregação e dos congregados, especialmente pelos enfermos. Quando algum morrer, acompanhem, os que puderem, o seu corpo à sepultura e façam todos em particular, sufrágios pelo descanso eterno de sua alma. Além disso, recitarão em comum o Ofício de defuntos ou outras orações e farão que se celebre a Missa, para que ao falecido seja aplicada a indulgência do altar privilegiado.

46 - Contribuições

Contribua cada um para as despesas da Congregação, ou uma esmola espontânea, conforme suas posses, ou com uma cota fixa, sempre módica, que o costume determinar.

47 – Mudanças e transferências

Quem se mudar do lugar da Congregação, comunique-o ao Padre Diretor, que, sendo necessário, lhe dará carta de transferência assinada por si ou pelo Presidente, da qual conste que ele é congregado e digno de ser admitido como tal em outra Congregação. Os congregados que por um ano ou mais se ausentarem da Congregação estão obrigados, para ganhar as indulgências, a entrar na Congregação do lugar do novo domicílio, se houver e for composta de pessoas da sua condição, a não ser que o Diretor dela se oponha ou haja outro impedimento, de que julgará o Diretor da primeira Congregação. Enquanto estiverem ausentes, escrevam ao Diretor ou ao Presidente; observem, quanto for possível, as práticas de piedade da Congregação; levem em toda a parte com fidelidade uma vida cristã e fervorosa, como convém a bons congregados de Nossa Senhora.

Título Sétimo 
Dos Oficiais Maiores ou do Conselho 

48 – Exemplo dos dignitários

Os Oficiais Maiores do Conselho, assim como precedem aos outros na dignidade, também devem excedê-los na prática das virtudes e na exata observância das regras, quanto mais elevado for o cargo que tiverem.

49 – Diligência no ofício

Procurem cumprir, com suma diligência, seus deveres e recorram ao Padre Diretor todas as vezes que for necessário, para darem conta do seu ofício, para o consultarem nas dúvidas e dificuldades, para receberem dele novas instruções e se tornarem deste modo fiéis auxiliares dele no governo da Congregação.

50 - Consultas

Assistam, com seu parecer e voto, às reuniões que o Padre Diretor ou o Presidente, por ordem dele, convocar. Nestas reuniões serão tidas por decisões da Diretoria, e como tais promulgadas, as que tiverem maioria absoluta de votos e forem aprovadas e devidamente publicadas pelo Diretor. Sem consentimento dele, nenhuma resolução, mesmo unanimemente votada, deve ser tida como válida.

51 – Sugestões da Diretoria

Manifestem com clareza e simplicidade o seu parecer nas questões de que se tratar no Conselho. Nunca pretendam impor a sua opinião, nem se deixem levar por inclinações próprias ou interesses pessoais, mas atendam exclusivamente à maior glória de Deus e proveito espiritual da Congregação.

52 – Prudência nas propostas

Quando tiverem a intenção de propor à Diretoria alguma coisa que traga consigo dificuldades graves, exponham-na previamente ao Padre Diretor, que em sua prudência decidirá se convém ou não ser proposta e discutida.

53 - Presidente

O Presidente é o primeiro dos Oficiais, em dignidade, e como que braço direito do Padre Diretor. Presidirá com este as reuniões e intervirá, devidamente a ele subordinado, em tudo o que pertence ao governo da Congregação, principalmente na admissão e exclusão dos congregados.

54 - Assistentes

Os assistentes ajudam o Presidente no desempenho do Ofício, por meio dos seus conselhos e imediata cooperação. Na ausência do Presidente fará as suas vezes o Primeiro Assistente e se este faltar, o Segundo Assistente.

55 - Secretário

Ao Secretário incumbe redigir as atas das reuniões de Diretoria, escrever o diário geral da Congregação, preencher os diplomas e assiná-los, bem como as cartas de transferência, cartas, notícias e outros documentos oficiais. Em tudo isto seguirá as ordens do Diretor e do Presidente. As atas das consultas, o diário geral da Congregação e o catálogo dos congregados devem estar em três livros separados, que nunca hão de faltar em nenhuma Congregação.

56 - Consultores

Os membros da Diretoria exercem ofício de consultores, não só nas reuniões da Diretoria em que se tomam parte com voto deliberativo, mas também quando em particular são chamados pelo Diretor ou Presidente. Para maior segurança do seu Conselho, procurem conhecer bem os congregados e as coisas da Congregação e tenham sempre presente o que acima fica dito, de evitarem o espírito de partido e de dar seu parecer com pureza de intenção.

57 - Instrutor

O Instrutor dos candidatos tem por ofício guiá-los e instruí-los acerca dos usos e espírito da Congregação, durante o tempo de prova para admissão como congregados. Comunique ao Padre Diretor o que observar sobre seu proceder dentro e fora da Congregação, para que ele possa, com maior conhecimento de causa, conceder a admissão, diferí-la ou negá-la.

58 - Tesoureiro

O Tesoureiro recolhe os donativos ou cotas fixas dos congregados e benfeitores, guarda o dinheiro da Congregação e paga as despesas quando lhe ordenarem o Diretor ou o Presidente. Nos livros e documentos do cargo, observará a maior clareza e diligência e em toda a administração há de proceder como fiel procurador do pequeno tesouro da Virgem Santíssima a ele confiado.

Título Oitavo 
Dos Oficiais Menores 

59 - Os Oficiais Menores, como os Maiores, devem ser insígnes na piedade e no amor da Congregação, desempenhar o seu cargo com grande zelo e visitar o Diretor com maior ou menor frequência, conforme o ofício de cada um.

60 - A Congregação terá, pelo menos, dois Sacristães, encarregados de preparar convenientemente a capela para as reuniões dos congregados e procurar o necessário ao serviço da Congregação nos exercícios ou festas religiosas.

61 - Também é absolutamente necessário que haja dois ou mais Apontadores. Estes terão um livro com o nome de todos os congregados e candidatos, para apontarem todas as vezes, a presença e as causas de ausência aceitas pelo Diretor.

62 - O Leitor tem a seu cargo a leitura espiritual nas reuniões da Congregação, bem como a leitura do Calendário Mariano da semana.

63 - O cuidado da Biblioteca será confiado a um ou mais Bibliotecários que nos dias e horas determinados mostrarão aos congregados o catálogo dos livros que possui a Congregação, entregarão as obras pedidas e reporão em seus lugares as restituídas.

64 - Quando o Diretor e o Presidente não puderem visitar frequentemente os enfermos, será mister nomear Visitadores, escolhidos entre os mais zelosos e prudentes, para cooperarem em tão piedoso dever. Esforçar-se os Visitadores por tornar amenas aos doentes as visitas e dar-lhes alívio e consolação com sua conversação espiritual. Roguem a Deus pelos doentes e procurem que o mesmo se faça na Congregação, quando a doença se agravar e avisem logo o Diretor, para que o enfermo possa receber a tempo os Sacramentos.

65 - Os Ofícios Maiores e Menores consignados nestas regras são comuns a todas as Congregações. Outros que por necessidade se estabeleçam serão regulados, quanto à sua natureza, privilégio e encargos, pelo Diretor de cada Congregação, única pessoa que tem direito de os instituir.

Título Nono
Da mútua comunicação entre as Congregações Marianas 

66 – Movimentos intercongregacionais

Para mais fácil e seguramente se conseguirem os fins próprios de cada Congregação Mariana, ou de muitas da mesma classe, ou ainda de todas elas, são muito de louvar os Congressos das Congregações Marianas, em que tomam parte ou os Diretores ou os congregados, sobretudo de uma região especial. Estes Congressos devem dirigir as deliberações e toda a organização ao proveito das almas e à sólida piedade, de modo que as despesas não se façam só para esplendor da festa, mas tudo se encaminhe a alcançar resultados práticos e permanentes.

67 – Revistas Marianas

Também é digno de louvor o uso de publicar e ler as revistas que são órgãos de Congregações e tratam das suas coisas, fomentando o bom espírito nos que os lêem.

68 – Organização federativa

Concorre igualmente para maior glória de Deus e honra da Virgem Santíssima, nossa Mãe, que, onde for possível, as Congregações da mesma classe e da mesma região formem entre si uma Confederação permanente, organizando uma espécie de Conselho comum.

Título Décimo 
Das regras locais 


69 – Se forem necessárias regras um pouco diversas das supraditas devem ser propostas ao Ordinário do lugar, ou – quando se pede a agregação – ao Prepósito Geral da Companhia de Jesus. As regras locais que se acrescentarem às regras comuns, não devem ser-lhes contrárias e se forem estáveis necessitam da aprovação do Ordinário do lugar.



II - Regras dos Ofícios 


Presidente
1. Assim como por seu cargo fica superior a todos os congregados e imediato ao Diretor, assim deve procurar exceder a todos na prática da virtude e na devoção a Nossa Senhora, guardando pontualmente todas as Regras, especialmente a que diz respeito à frequência aos Sacramentos.
2. Amará a todos, sem exceção alguma, como a irmãos queridos e filhos prediletos da Virgem Santíssima e procurará, como para si próprio, o bem espiritual deles, pois foi para isto que Nossa Senhora os confiou. Enfim, procederá de tal maneira que os congregados cresçam e floresçam nas virtudes cristãs, movidos pela eficácia de suas palavras e, muito mais, pela força dos seus exemplos.
3. Será o primeiro a concorrer à Congregação e proverá com antecedência aos atos de piedade nela costumados, em harmonia com as disposições do Diretor. Estando alguma vez legitimamente impedido de assistir aos atos comuns, avise com tempo o Diretor, para os devidos fins.
4. Ainda que o Presidente esteja obrigado a cuidar de toda a Congregação, depende contudo do Diretor, por cujo parecer deve guiar-se sempre, no que pertence à direção da mesma. Por isso, não abolirá nem mudará coisa alguma, nem estabelecerá nada de novo, sem o conhecimento e aprovação do Diretor, para que tudo na Congregação se faça com prudência e ordem, para a maior glória de Deus e de Sua Mãe Santíssima.
5. Terá cuidado de que, na eleição do novo Presidente e dos outros Oficiais, se leiam na reunião os números 20, 21, 50, 51 e 56 das Regras Comuns e a Praxe das eleições, insistindo em sua observação por todos.
Procurará também que os Oficiais desempenhem com zelo e perfeição os próprios cargos, especialmente os Assistentes, Secretário, Consultores e Tesoureiro.
6. Fará que na capela estejam escritos os nomes de todos os congregados e que os livros todos do Secretário estejam em dia, como os do Tesoureiro.
7. Quando adoecer ou morrer algum congregado, procurará que se cumpra o preceituado nos números 45 e 64 das Regras comuns.
8. Procure que as Seções, Academias e outras obras de caridade e zelo instituídas na Congregação tenham vida ativa e floresçam o mais possível.
9. Assinará os diplomas, cartas, decretos e quaisquer outros papeis de importância, juntamente com o Diretor e o Secretário. Se algum congregado houver de ser despedido da Congregação, encarregar-se-á, a juízo do Diretor, de o notificar a toda a Congregação.

Assistentes
1. Como o cargo dos Assistentes consiste em ajudar, com seus conselhos, o Diretor e Presidente no governo da Congregação, devem ter com eles uma união grandíssima, para que, em perfeito acordo, a direção proceda reta e eficazmente.
2. Devem tomar parte em todas as reuniões e consultas, tanto gerais como particulares.
3. Na falta do Presidente, fará as vezes dele o primeiro Assistente; se também este faltar, o Segundo.
4. Tratem freqüentes vezes, com o Diretor e o Presidente, dos meios que se poderiam empregar para o progresso espiritual da Congregação, o qual, com palavras e exemplo, procurarão promover quanto puderem, ajudados pela divina graça.

Secretário
1. O Secretário deve assistir a todas as reuniões e consultas, e lançar respectivamente no Diário da Congregação e no Livro das Consultas uma nota do que nelas se fez ou tratou. Antes, porém, de a escrever no livro, mostrará ao Diretor e ao Presidente uma cópia para ser aprovada.
2. Terá cuidado de encher os diplomas, escrever as circulares e avisos, e tudo o mais que for costume, e também de assinar e selar os documentos com o selo da Congregação quando o Diretor e o Presidente entenderem que assim deve ser.
3. Terá em dia os diferentes livros, registros e catálogos da Congregação, a saber: Diário da Congregação, Livro das Consultas, Livro dos Decretos, catálogos dos Oficiais da Congregação, Catálogo geral dos Congregados (nome, sobrenome, data de admissão na Congregação, de óbito ou exclusão), e catálogo dos Candidatos. Em algumas Congregações há ainda dois livros mais: registro em que cada congregado escreve e assina a fórmula da consagração e livro dos usos e costumes da Congregação.

Consultores
1. Devem assistir a todas as reuniões e consultas e ajudar, nestas e fora delas, o Diretor e o Presidente no governo da Congregação.
2. Tenham sempre em vista, ao dar seu parecer, a maior glória de Deus e de sua Mãe Santíssima e o proveito espiritual da Congregação.
3. Guardem-se diligentemente de todo o espírito de paixão e procurem, assim como excedem os mais na dignidade, excedê-los também no bom exemplo.

Instrutor
1. O Instrutor, conforme as indicações do Diretor e do Presidente, formará e instruirá os candidatos, explicando-lhes as Regras Comuns e os usos próprios da Congregação, inculcando-lhes, sobretudo, a devoção a Nossa Senhora. Deve cuidar igualmente de todos os que lhes forem confiados, tratando-os com grande caridade, inspirando-lhes amor à Congregação e zelo pelo cumprimento das suas regras.
2. Trate amiudadas vezes com o Diretor e o Presidente, consultando-os sobre os meios de encaminhar os candidatos na prática de verdadeiras e sólidas virtudes.
3. A ele pertence ordinariamente conduzir ao altar os que são admitidos à Congregação e apresentá-los ao Diretor, Presidente e Assistentes para os abraçarem onde houver este costume.

Tesoureiro
1. Compete ao Tesoureiro guardar o dinheiro da Congregação e os objetos preciosos dela, que não estiverem ao cuidado de outrem.
2. Terá o dinheiro num cofre de duas chaves diferentes, uma para si e outra para o Diretor.
3. Sem licença do Diretor não fará despesa alguma, nem pedirá nada a ninguém, em nome da Congregação. Contente-se com o que cada um quiser dar por ocasião das reuniões, e para isso tenha cuidado de lhes apresentar a caixa dos donativos.
4. Terá em dia a escrituração para apresentá-la ao Diretor, quando este a pedir.
5. Ao deixar o cargo, entregará ao seu sucessor as contas correntes e o inventário dos objetos que lhe tenham sido confiados.

Bibliotecários
1. Fica-lhes entregue a biblioteca da Congregação e devem conservá-la com toda a vigilância e cuidado, para que nada se estrague e nem perca.
2. Haja catálogo de todos os livros e estejam todos marcados com o selo da Congregação.
3. Para saberem que livros, quando e por quanto tempo devam entregar-se, hão de entender-se com o Padre Diretor.
4. Não entregarão nenhum livro sem registrarem o nome de quem recebeu e a data em que o levou. Quando for restituído, cancelarão o registro anterior.
5. Geralmente não devem entregar a ninguém dois livros ao mesmo tempo.

Apontadores
1. Tenham um livro convenientemente disposto com os nomes de todos os congregados e candidatos.
2. Sejam pontuais e diligentes em notar nele as presenças e ausências, juntando a estas últimas o motivo que, a juízo do Diretor, as justificou.
3. Avisem oportunamente o Diretor das ausências que houver, mormente se forem contínuas e prolongadas.

Visitadores dos enfermos
1. Cabe ao Diretor e ao Presidente designar os congregados que houverem de desempenhar-se de obra tão piedosa e santa.
2. Visitarão, as vezes que puderem, os congregados doentes, informarão o Diretor e o Presidente do estado deles e, por si e por outros, os encomendarão a Deus.
3. Se a doença se tornar mortal, avisarão logo ao Diretor e ao Presidente, para que, por todos os meios possíveis, se evite que um filho de Maria morra sem os últimos Sacramentos.

Encarregados da Capela
1. Persuadam-se os encarregados da capela e os que os ajudarem no seu Ofício, que são camareiros-mores da Celeste Rainha, em cuja honra se enobrecem os mais humildes serviços.
2. Tenham um inventário exato dos paramentos, alfaias e quaisquer outros objetos pertencentes à capela, o qual, findo o exercício do seu cargo, entregarão aos seus sucessores.
3. Cuidem que em toda capela haja a maior limpeza e que os paramentos e mais objetos de culto se conservem com muito asseio.
4. Terão tudo em muita ordem e a bom recato, e entregarão as chaves ao Diretor ou ao Presidente.
5. Não farão despesa nenhuma sem consultar os Superiores; e no arranjo da capela proponham-se edificar o espírito e não distraí-lo.

Leitores
1. Penetrados da importância que tem a leitura espiritual para mover à virtude, serão pontuais na capela à hora determinada.
2. No começo das reuniões, um deles fará a leitura de um livro designado pelo Diretor, até que chegue a maior parte dos congregados.
3. Aos leitores toca também rezar as orações comuns e cantar o que lhes estiver marcado nos Ofícios de Nossa Senhora e dos defuntos.
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